No Brasil, a extinção de espécies está muito ligada à sobrepesca e à caça. A falta de educação ambiental também cobra seu preço, assim como a poluição de rios e as queimadas e desmatamentos. Para agravar a situação, a pobreza faz com que, muitas vezes, o único recurso para alimentação da população sejam os animais capturados na natureza. Conheça abaixo, algumas expécies ameaçadas de extinção.
Peixe-boi
Existem duas espécies de peixes-bois no Brasil: o peixe-boi marinho (
Trichechus manatus) e o peixe-boi da Amazônia (
Trichechus inunguis). Os peixes-bois e os
elefantes tiveram, há milhões de anos, um ancestral em comum. O peixe-boi marinho pode ser encontrado no Nordeste e Norte do país. Já o peixe-boi amazônico só existe na bacia do rio Amazonas, no Brasil, e no rio Orinoco, no Peru.
O peixe-boi é o
mamífero aquático mais ameaçado de extinção no país. No passado, podiam ser encontrados em toda a costa, do Espírito Santo ao Amapá. Por causa da caça indiscriminada desde a época da colonização e o avanço da ocupação do litoral, este animal se encontra seriamente ameaçado de extinção. Hoje, eles aparecem apenas no Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, tendo desaparecido no Espírito Santo, Bahia e Sergipe.
Em setembro de 2007, pesquisadores de Manaus organizaram a primeira reintrodução de peixe-boi amazônico em água doce. A espécie, considerada ameaçada de extinção pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), é alvo de caça predatória nos rios da
Amazônia.
Apesar de ser ilegal, a caça do peixe-boi amazônico (
Trichechus inunguis) ainda é bastante comum entre populações ribeirinhas, que costumam capturar os filhotes para atrair as mães para o abate. Depois simplesmente descartam as crias, que podem acabar morrendo sem amamentação. Elas mamam até os 2 anos. Além disso, a captura do peixe-boi é considerada simples pela população local, já que é um animal manso que quase não reage à aproximação humana.
Os animais reintroduzidos na natureza levaram colares com transmissores de rádio. Os resultados das pesquisas vão subsidiar a elaboração de um plano de manejo para a conservação da espécie na região amazônica.
Lobo-guará
O
lobo-guará, guará ou lobo vermelho (
Chrysocyon brachyurus) é o maior mamífero canídeo nativo da América do Sul. O guará faz parte da lista de animais em extinção publicada pelo Instituto Brasileiro de Meio ambiente (Ibama).
Restam apenas alguns milhares de espécimes nas planícies de Mato Grosso, na região do Parque das Emas, no Brasil.
Antigamente, havia tanto lobo-guará no vale do rio Paraíba do Sul, entre São Paulo e Rio de Janeiro, que o fato inspirou o nome da cidade paulista de Guaratinguetá. Os guarás também habitavam os cerrados da região Centro-oeste, parte da Caatinga do Nordeste e na Zona da Mata, no Nordeste brasileiro.
Estudos da IUCN apontam que em 1976 um casal de lobos-guará vivia em um território de 300Km² . Atualmente um casal é obrigado a sobreviver em uma área de 20 a 30Km². Como conseqüência desta redução, houve a modificação dos hábitos alimentares, tornando-o mais próximo do homem e acelerando o extermínio deste canídeo.
Onça-pintada
Maior felino das Américas, a
onça-pintada (
Panthera onca) é parente próxima dos
leões, tigres e
leopardos. Seu habitat natural são as matas densas da Amazônia, as
florestas tropicais e o Pantanal.
A onça sofre com a caça ilegal e é uma espécie ameaçada de extinção na lista do Ibama. A caça pela pele, a destruição de seus habitats, o isolamento populacional e a caça e envenenamento por parte de pecuaristas têm contribuído para o declínio do número de onças em toda a América. A
onça-pintada extinguiu-se nos Estados Unidos em 1986, tendo sido avistada pela última vez no Arizona. Originalmente, as onças-pintadas se espalhavam do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina, sendo muito presentes no Brasil.
Jaguatirica
Jaguatirica, ocelote, ou gato-do-mato é um felino cujo nome científico é
Leopardus pardalis ou
Felis pardalis, originariamente encontrado na
Mata Atlântica e outras matas brasileiras. Distribuída por toda a América Latina, é encontrada também ao sul dos Estados Unidos.
O estado de conservação do gato do mato é considerado vulnerável pala IUCN e em perigo pela USDI (1980). Está desaparecendo pela ação dos caçadores que querem sua linda pele. O mercado negro é alimentado pelo
costume de muitos países de transformá-lo em animal exótico e de estimação.
Baleia franca
A
baleia franca (
Balaena mysticetus) é a segunda espécie de baleia mais ameaçada de extinção no planeta. As espécies
E. glacialis e
E. japonica(baleia-franca-do-atlântico-norte e do-pacífico, respectivamente) estão na Lista Vermelha da UICN, na categoria Em perigo (EN). A do tipo austral, que ocorre no Brasil, não consta como ameaçada na lista da IUCN, mas pesquisadores apontam isso como uma falha. Foi criada uma Unidade de Conservação no litoral de Santa Catarina, em Imbituba, onde também fica a sede do
Projeto Baleia Franca, que visa a conservação desta espécie por meio de atividades de educação ambiental e observação das baleias quando elas se aproximam do litoral catarinense, nos meses de inverno.
Baleia Jubarte