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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Leitura especial para quem ama e respeita os animais:

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Gaúchos amam e maltratam animais - Maria de Nazareth Agra Hassen*

É bem verdade que no resto do Brasil não é muito diferente. Em toda parte do país, os mais básicos direitos animais são desrespeitados, enquanto a consciência sobre a existência dos mesmos não avança como em outros lugares. A região da Catalunha (Espanha) recentemente viu aprovada a lei que abolirá do seu território as tradicionais touradas. O conceito de tradição é frequentemente evocado para garantir espetáculos como rodeios, corridas e provas em que animais são subjugados na sua vontade para garantir diversão a participantes. Ora, tradição alguma é imutável, sendo, para Montesquieu, a ignorância a mãe de todas as tradições. Para o músico Ravel, a tradição seria a personalidade dos imbecis. A tradição tem sua origem na necessidade de se manter um nexo entre as gerações. Hoje, este nexo é mantido pela cultura acumulada e seus infindáveis meios de divulgação e reprodução. O entendimento vigente sobre tradição é que devemos rechaçar toda a tradição que se oponha aos direitos básicos dos atingidos e por isso não aceitamos mutilação genital feminina, apedrejamento por adultério, legítima defesa da honra como argumento a favor de assassinos. Sempre que nos contrapomos a práticas que um dia foram consideradas naturais, expandimos nossos horizontes morais. E isso é tanto mais difícil quando implica mudança em hábitos e comportamentos.

Em relação aos animais, o que se chama tradição, em grande parte das vezes, são negócios, que se apóiam em tal argumento. Por trás do espetáculo, estão os interesses econômicos apoiados na fragilidade reflexiva e argumentativa da população.

Por mais que ativistas dos direitos animais tentem levar uma nova consciência ambiental e uma nova moral que expande aos demais seres sencientes noções de direitos, ainda é o negócio que prevalece. Se a maioria de nós rejeita touradas, farra do boi, rinhas de galo, se ficamos chocados com o contrabando de animais silvestres, se nos indignamos com o crime de arrastar uma cadela presa ao pára-choque de um automóvel, não fazemos o mesmo com o embarque de gado vivo que viaja mais de 30 dias em navio-curral de seis andares, comprimidos e submetidos às piores condições, não fazemos o mesmo com os rodeios, não nos importamos com o estresse e a condição de coisas e mercadorias dos animais da Expointer e não nos chocamos que o Centro Histórico se transforme numa imensa churrasqueira nos dias de acampamento farroupilha. A alguns animais, compaixão, cuidados e proteção; a outros, confinamento e morte.

No nosso atual estágio civilizatório frequentemente apelamos nos nossos juízos de valor para a noção de inocência, a ausência de culpa. De todos os seres que devem ser poupados de injustiça e sofrimento, elegemos como prioritários os inocentes. Um ato que causa dor e morte, um latrocínio, por exemplo, nos choca mais quando tem como vítima quem nunca provavelmente desejou ou fez mal a outros, o que configura um inocente. Se adotarmos a inocência como parâmetro, o que pensaríamos dos animais, incapazes de qualquer projeto de maldade?

Outro conceito, a senciência, noção que nos une a outras espécies animais, diz respeito à capacidade de sofrer ou sentir prazer. Daí Jeremy Bentham, jurista fundador da escola reformista utilitarista, ter afirmado: A questão não se refere a se eles são capazes de raciocinar ou falar, mas sim se eles são capazes de sofrer.

Já que cães, golfinhos, bichos-preguiça, ursos-panda apresentam as mesmas capacidades da senciência e de inocência que porcos, galinhas, ovelhas e bois, onde, afinal, residiria a diferença de tratamento que lhes dispensamos? Por que protegemos, respeitamos, mimamos alguns animais e a outros, mesmo existindo alternativas alimentares saudáveis, dispensamos o pior dos tratamentos ao fim dos quais lhes reservamos a morte? Por que a uns tentamos garantir reservas ambientais e a outros submetemos a exposições, provas de velocidade e resistência, para diversão?

É de lamentar que o Rio Grande do Sul ainda não se proponha a reverter a realidade dos seus conterrâneos, os quais oprime e mata, mesmo sendo inocentes e mesmo sem haver qualquer necessidade.
________________________
*Doutor em Educação, mestre em Antropologia Social e graduada em Filosofia, integrante do Grupo pela Abolição do Especismo

5 comentários:

Angels disse...

"A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados." (Mahatma Gandhi)

Pena perceber que também noutros países as leis ainda estão muito aquém da realidade e das necessidades inerentes à Vida e Preservação Animal.
Falta gente com sentimento...

um anjo

Brasigrega disse...

Soninha querida, parabéns pela tua iniciativa de fazer um espaço para estes lindos animais.
Sonia, eu não tenho animais, mas os respeito profundamente. Fico danada da vida quando vejo alguém maltratando qualquer animal.
Nunca entendi, por mais que me esforçasse, a existência das touradas...Sempre repudiei. Vou te confessar uma coisa...quando vejo um touro investindo nas pessoas, eu torço muito pelo touro. Acho que um dia, será dia do caçador...só assim pra essa gente ignorante parar de maltratar um animal indefeso.
beijos da amiga
Marineide

Cantinho do Neno disse...

oi sonia adorei a visita boa quinta bjs neno

Daniel Savio disse...

Realmente esquecemos que o ideal de inocência não é só aplicada aos seres humanos, mas a todos seres vivos...

Fique com Deus, menina Sonia Silvino.
Um abraço.

Verde Vivo disse...

Olá Soninha!Não tenho coragem de assistir videos sobre maus tratos de animais.Só de ouvir falar fico indignada.Rinhas de galo,farra do boi,acho isso um absurdo.Como pode um ser humano ser tão cruel?!Animais sentem dor,sentem fome,tem sangue nas veias.Animais são bem melhor que certo seres humanos.Nos amam por cuidar deles,e não nos traem.ANIMAL É TUDO DE BOM!!!!!!!

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